Restauração

Plantio de Enriquecimento para Restauração da Floresta

Qual é a diferença entre reflorestamento, plantio de enriquecimento e restauração de floresta?
Reflorestamento é o processo de plantar árvores onde não existem. Plantio de enriquecimento consiste em plantar árvores e outras plantas em áreas onde a vegetação lenhosa já existe e tem o objetivo de aumentar a diversidade de espécies no local. Restauração de floresta é o processo de plantar árvores e outra vegetação para tentar recriar o ecossistema florestal e as interações que o mantêm. Restauração de floresta pode incluir a reintrodução de animais e outros organismos e/ou a criação de condições para que esses organismos possam recolonizar o local, sem a necessidade de reintrodução. Plantio de enriquecimento é, muitas vezes, o componente principal da restauração de floresta, então, os dois podem se complementar.

Porque restaurar a floresta?
A restauração de floresta é cara e consome muito tempo. Logo, porque plantar árvores em vez de deixar a floresta regenerar-se sozinha? Em florestas tropicais, áreas agrícolas abandonadas são rapidamente recobertas com vegetação densa com algumas árvores que podem atingir 5 m no primeiro ano. Na paisagem da reserva, sabemos que, dentro de dez anos, uma área roçada pode sustentar uma floresta repleta de árvores cobertas de cipós, que podem atingir 8 + m. Também sabemos que nas áreas abandonadas, distantes da floresta madura, a maior parte das espécies é pioneira. Na paisagem da reserva, temos observado que uma área abandonada há 70 anos, hoje sustenta uma comunidade de plantas dominada por espécies pioneiras, um fenômeno conhecido como “sucessão parada”. Aproximadamente 600 ha da reserva sustentam plantios de seringueira cobertos de floresta pioneira num estado de “sucessão parada”. O que há de errado com uma floresta dominada por espécies pioneiras? E por que essas florestas não desenvolvem em florestas maduras com alto valor de conservação?

Enquanto as espécies pioneiras exercem um papel importante dentro do ecossistema, quando uma floresta abriga apenas espécies pioneiras, seu valor para conservação torna-se limitado. As espécies pioneiras tendem a crescer rapidamente e produzem frutos abundantes, porém esses frutos têm qualidade nutricional limitado para animais frugívoros. Os frutos tendem a ter altos níveis de açúcar, mas sem outros benefícios para a fauna, portanto animais que dependem, na maior parte, de frutos para seu sustento, carecem de nutrição adequada. Isso implica que quando uma floresta for dominada por espécies pioneiras, é improvável que possa sustentar um complemento pleno da fauna. Além disso, as espécies pioneiras são amplas e muito abundantes, especialmente nos biomas que foram intensamente explorados, como no caso da Mata Atlântica, e significa que têm menos valor conservacionista do que as árvores da comunidade da floresta madura. Na perspectiva dos gestores de floresta, portanto, esse tipo de floresta é menos desejável do que floresta madura.

Para entender o motivo pelo qual essas florestas pioneiras não se desenvolvem em floresta madura, como seria o caso se fossem adjacente a trechos de floresta madura, é necessário entender diversos aspectos importantes relacionados à ecologia de recrutamento de árvores e à distribuição da floresta madura dentro da reserva. Estudos sobre a ecologia do recrutamento de árvores indicam que a maior parte das sementes é distribuída a distâncias curtas das matrizes (menos de 100 m), especialmente em florestas do tipo que encontramos na REM onde frugíveros que dispersam as sementes para locais mais distantes, a exemplo da anta (Tapirus terrestris) e do guariba (Alouatta guariba) foram extirpados. Menos de 2% da luz do sol chega ao piso da floresta em florestas pluviais, o que significa que as árvores no dossel inferior da floresta tendem a crescer num ritmo lento e que os períodos entre gerações das árvores do dossel tendem a ser longos. Podem demorar décadas antes que uma árvore cresça o suficiente para produzir fruto e esse fato, combinado com as distâncias curtas de dispersão, sugere que as árvores migram muito lentamente pela paisagem. Uma vez que a maior parte dos plantios de seringueira esteja longe dos trechos de floresta madura, podem demorar séculos para plantas com alto valor para a fauna frugívora colonizem essas áreas. Se as florestas pioneiras não se desenvolverem em florestas maduras, a reserva não atingirá o seu potencial de sustentar populações viáveis de espécies com alto valor para conservação.

Visitas dos cientistas
Nossos locais de restauração estão abertos a visitas de cientistas programadas com antecedência.

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