Um tour da reserva

Apresentamos aqui um tour da reserva, que começa na extremidade nordeste e avança no sentido sul e oeste, até o setor do sul da reserva.

Reserva Michelin Tour

Floresta amortecedora no setor norte
O ponto do extremo nordeste da reserva consiste em uma área de 40 ha que age como uma zona amortecedora que protege a parte principal da reserva da expansão urbana, que cresce ao sul de Ituberá. Esse trecho estreito (200 a 400 metros) de floresta pioneira cronicamente impactada, beira a BA-001 e a borda oeste, beira os sistemas agroflorestais de Fazenda Velha e o manguezal do Rio Serinhaém ao leste e ao sul. Localizado ao norte, está o bairro popular denominado Poeirão. Além da floresta, há 20 ha de plantios de seringueira.

A Estrada para Pancada Grande
Esses 60 ha de floresta entre a rodovia BA-001 e a Cachoeira Pancada Grande sustentam plantios de seringueira com entrelinhas de vegetação pioneira densa que atinge de 2 a 5 m de altura e uma área extensiva enriquecida com espécies nativas plantadas em 2005, 2008 e 2012. Existem diversos trechos pequenos de floresta secundária densa, especialmente ao longo do rio e no caminho para a cachoeira.  Esse setor da reserva tem aproximadamente 100 a 400 m de largura e 2 km de comprimento, com um declive íngreme que se acentua ao norte do rio. Ao norte, são rocas de pequenos agricultores com sistemas agroflorestais diversos  e ao sul, grandes plantações de seringueira/cacau/banana.

A floresta de 625 ha
Essa floresta de 625 ha é um fragmento contínuo, dividido em três partes que refletem os três pontos de acesso descritos abaixo.

A Mata de Pancada Grande
Os 172 ha de floresta da Pancada Grande estão localizados na margem norte do Rio Cachoeira Grande, entre o rio e a Colônia. A topografia é levemente ondulada, com elevações de 120 m ao longo do rio e 186 m e 190 m nos topos dos dois morros. A floresta foi intensamente explorada para extração de madeira durante 25 anos e as operações dos madeireiros terminaram no fim dos anos 70. O setor mais plano no oeste foi o mais intensamente explorado e a floresta, localizada ao longo da trilha na parte superior do rio, a menos impactada. Hoje, a constituição da floresta é de 48% intensamente explorado e 52% que sofreram corte seletivo intensivo. Existem trechos pequenos de árvores maduras no centro da floresta, porém a maioria das árvores grandes é da espécie Eriotheca, e as espécies de crescimento rápido, Tachigali densiflora, Balizia pediccelaris e Parkia pendula. De uma forma geral, o dossel superior é de 10 a 15+ m com os emergentes acima de 20 m. A vegetação rasteira tende a ser densa, com uma altura de 3 a 4 m, abundante em palmeiras e helicônias. Bromélias, cipós e lianas são mais comuns na mata ciliar. Uma vegetação herbácea beira os cinco córregos, e as diversas clareiras naturais ao longo do rio estão inundadas com bambu trepadeira. Seringueira, cacau, banana e cravo são cultivados nas terras agrícolas adjacentes, porém, algumas dessas fazendas estão abandonadas e cobertas de mato. Durante uma invasão nos anos 90, camponeses derrubaram vários hectares ao longo do rumo central oeste e duas áreas menores ao longo do rio e no coração  da floresta. Também cortaram árvores do sub-bosque da mata ciliar, porém as mesmas têm se recuperado vigorosamente.

A Mata do Rio
A Floresta do Rio, de 273 ha, beira a margem do sul do rio Cachoeira Grande por 4 km em terra plana, exceto no ponto leste acima da cachoeira Pancada Grande onde o morro é íngreme. Essa floresta foi intensamente impactada pela extração de madeira até o fim dos anos 70. Hoje, constitui em floresta secundária densa, com árvores de 8 a 15 m, com uma quantidade considerável de árvores mais maduras e trechos pequenos de floresta relativamente intacta, nas áreas com acesso mais difícil. O ponto oeste da Floresta do Rio foi completamente derrubado e queimado para um plantio de seringueira que nunca foi realizado e hoje consiste em um trecho uniforme de floresta secundária, com aproximadamente 40 anos, onde a árvore Pourouma domina o dossel. Alguns trechos de mata ao norte da floresta de Vila 5 são capoeiras das rocas abandonadas, dos antigos posseiros. Uma faixa densa de vegetação segue o rio, com uma abundância de cipós, bromélias, bambus, samambaias e tiriricas. Nesse local, o rio tem de 9 a 12 m de largura e quando o nível de água baixa, muitas rochas ficam expostas, assim como alguns trechos de cascatas e pequenas ilhas.

A Mata da Vila 5
Os 180 ha de floresta da Vila 5, que tem 2,5 km de comprimento e uma largura de 800 m, se espalham sobre cinco morros ao sul do rio com picos entre 160 a 288 m. A floresta foi usada para extração de madeira. Também foi extraído cascalho para uso nas estradas da plantação. Hoje, os principais tipos de floresta consistem em floresta intensamente impactada (31,3%), floresta que sofreu corte seletivo intensivo (41%) e floresta levemente impactada (14,3%). A parte centro leste da floresta foi queimada no fim dos anos 60 e hoje sustenta uma floresta secundária dominada pelas espécies das árvores Pourouma, Senna, e Schefflera, com cipós e lianas finas abundantes que compõe 10,7% da floresta. Uma área pequena (2,7% da floresta) foi uma roça de mandioca no passado. Está presente na Vila 5 a floresta mais intacta da reserva. As encostas elevadas dos morros do norte retêm trechos relativamente grandes de floresta que foi levemente impactada com alguns exemplares impressionantes das espécies Sloanea, Caryocar, Virola, Eriotheca, Licania, e Copaifera. O perfil da floresta nos trechos mais novos é de árvores novas finas e árvores de porte médio de 10 a 13 m, enquanto nos trechos mais maduros, o dossel superior é consistentemente de 17 a 20+m. O morro do sul sustenta uma floresta que foi intensamente impactada, com árvores de 8 a13+ m, cipós abundantes e a serapilheira é funda. Porém, nas encostas mais altas, existe um trecho de floresta com algumas árvores de floresta madura. A palmeira juçara é abundante em toda a floresta, também como lianas e outras epífitas. Bromélias terrestres cobrem as rochas grandes, expostas nos topos dos morros. O Rio das Matas flui pela parte central da floresta e uma pequena e bonita cachoeira e cascatas estão presentes durante o seu curso. A floresta tem diversas nascentes e córregos pequenos que sustentam musgos e samambaias. Plantios de seringueira, cacau e banana beiram a floresta nos três lados e, ao norte, está situada a Floresta do Rio.

As seringueiras entre floresta
A área entre os três principais blocos de floresta ocupa cerca de 600 ha da reserva e sustenta uma mistura de monocultura de seringueira e várzeas que, às vezes, são contornadas por uma faixa estreita de florestas pioneiras. As entrelinhas das seringueiras não têm sido cortadas desde o estabelecimento da reserva e têm se transformado em mato denso, com espécies pioneiras que atingem 2 a 4+ m. Esta área foi o local primário para o projeto de enriquecimento florestal, com o plantio de 100.000 árvores de mais de 210 espécies. Os plantios de seringueira no lado noroeste da reserva, conhecido como Berel, penetram as encostas florestadas entre Pacangê e a fazenda Itapema I. A topografia é relativamente plana ao longo do Rio Cachoeira Grande, porém, eleva-se marcadamente no sentido sul e culmina nos morros altos da floresta Luís Inácio. Ao sul e ao leste existem plantios grandes de cacau, banana e seringueira.

A Mata de Luís Inácio
A mata de Luís Inácio, de 140 ha, estende-se por quatro morros íngremes que são cortados pelo Rio das Matas. O morro no noroeste de 338 m é o pico mais alto da reserva. O setor central e o setor do leste foram cultivados com o plantio de mandioca por pequenos agricultores, ao longo do século 20 e, capoeiras, ocupam 28,8% da floresta. Essas florestas secundárias são dominadas pelas espécies arbóreas Pourouma, Senna, Albizia, Byrsonima, e Schefflera onde o dossel superior atinge 6 a12+m e a palmeira juçara é abundante na vegetação rasteira e média. A madeira foi extraída dos outros setores da floresta: 22,8% foram intensamente impactados, 37,9% sofreram corte seletivo intensivo, e 7,6% foram levemente impactados. A vegetação em geral é densa, com árvores de porte médio atingindo 6 a 15 m. Porém, nas encostas dos morros no norte e ao longo do Riacho Caipora, existem pequenos trechos de mata madura, com árvores centenárias. A floresta Luís Inácio está localizada a 800 m a oeste da Vila 5 e a 400 m a leste da floresta de Pacangê, e é circundada por plantios de seringueira, onde as entrelinhas abandonadas têm sido enriquecidas com plantios de árvores nativas nos lados norte e leste. Existem plantios de cacau, seringueira e banana nos lados leste e sul.

Mata de Pacangê
A floresta de Pacangê, de 550 ha, estende-se em 7 morros íngremes ao longo de duas cumeeiras paralelas com picos que atingem 240 a 327 m. Pacangê foi cultivada desde o século 19, a maior parte com plantação de mandioca. Porém, mais tarde, o cacau também foi cultivado. Quatro plantios abandonados de cacau, jaqueiras, bambus e os restos de uma barragem para processar mandioca são provas dessa história agrícola. Hoje, a composição da floresta é de 3% de pastos abandonados, 49.9% de capoeiras, 18,7% pesadamente exploradas, 23,3% intensamente exploradas, e 5,1% levemente exploradas. A floresta foi completamente derrubada nas encostas inferiores, ao longo do rio e no morro do sudoeste. Essas áreas ainda sustentam floresta secundária com vegetação densa e contínua, que atinge de 3 a 5 metros e nos plantios abandonados mais antigos, o dossel superior atinge de 7 a 15 m. Os cipós são abundantes, a densidade de bromélias é moderada e a serapilheira é densa. A vegetação na parte norte da floresta consiste em aglomerações impenetráveis de árvores jovens, com vegetação contínua de 2 a 4 m. Existe também outro trecho de capoeira, no centro da floresta, acima do rio que se estende ao morro central na cumeeira ocidental. O terceiro trecho de capoeira fica na parte do meio da encosta do sudeste com aglomerações densas de arbustos e árvores que atingem 4 m. Florestas exploradas compõem as partes do meio e superior de todos os morros, menos o morro no sudoeste onde a floresta mais intacta é localizada. A floresta madura, que foi levemente explorada, segue a cumeeira do leste numa faixa estreita, porém contínua, onde o dossel superior atinge 15 a 25 m e árvores mais maduras de 30 a 40 m. Nas encostas superiores da cumeeira oriental, existem agrupamentos de floresta madura que foram levemente explorados com árvores maduras onde o dossel superior atinge 15 a 25+ m e emergentes que atingem 40 m. Esses trechos maduros são ricos em lianas grandes, bromélias e outras epífitas. Uma sapucaia (Lecythis pisonis)  centenária na beira do rio é a maior árvore que resta na região e nos permite imaginar como eram as florestas antes dos anos 50. O pequeno Rio Pacangê passa pela parte central da floresta e flui desde uma várzea grande no canto sul da floresta e passa por outra várzea, circundado por plantios de seringueira, no canto norte da floresta, antes de desembocar no Rio Cachoeira Grande. Seis córregos grandes nascem nessa floresta, assim como vários córregos menores e lagoas pequenas que retêm água durante o ano todo. Monoculturas de seringueira beiram a floresta no norte e leste, com as entrelinhas, enriquecidas com árvores nativas e um plantio abandonado de pupunha beira a parte do sul da reserva. Pacangê é ligada ao maior trecho de floresta da região (13.000 + ha) no rumo oriental e, junto com a floresta da Fazenda Itapema I, é o setor mais largo desse bloco de floresta.

Setor do sul
Uma cumeeira alta e íngreme segue a borda leste dessa área de 700 ha, com o vale do Rio Pacangê abaixo e as florestas da Itapema II ao oeste. Plantios de seringueira com as entrelinhas abandonadas dominam a paisagem, porém, há também uma rede extensiva de várzeas e vários trechos grandes de floresta pioneira (Senna, Tapirira, Cecropia, Schefflera, Inga, Vismia,Bauhinia, Piper, Miconia, Henrietta, e gramíneas do gênero Cyperus). Existem vários plantios enriquecidos com árvores nativas no setor sul. A Michelin mantém vários plantios de seringueira fora da reserva nessa área como parte do seu estudo de experiência de longo prazo com clones resistentes ao fungo Mycrocyclus ulei. A leste há plantios grandes de cacau/seringueira/banana e a paisagem ao sudoeste e ao sul é dominada por sistemas agroflorestais e fragmentos de floresta que foram severamente impactados.

O norte da reserva é composto de seringueiras, várzeas e capoeiras.

O norte da reserva e composto de seringueiras, várzeas, e capoeiras.

O Rio Cachoeira Grande na zona norte da reserva.

O Rio Cachoeira Grande na zona norte da reserva.

A Mata de Pancada Grande visto da roça da Colônia.

A Mata de Pancada Grande visto da roça da Colônia.

Pancada Grande - Trilha do Rio

Pancada Grande – Trilha do Rio

Pancada Grande - Trecho de Mata Madura

Pancada Grande – Trecho de Mata Madura

A Mata do Rio protege as margens do Rio Cachoeira Grande.

A Mata do Rio protege as margens do Rio Cachoeira Grande.

Vila 5 Rio das Matas

Vila 5 Rio das Matas

Vila 5 - Centro da Mata

Vila 5 – Centro da Mata

A Mata de Vila 5 vista do lado leste.

A Mata de Vila 5 vista do lado leste.

Seringueiras abandonadas caracterizam as áreas entre as matas.

Seringueiras abandonadas caracterizam as áreas entre as matas.

Mata de Luis Inácio

Mata de Luis Inácio

A Mata de Luis Inácio  visto pelo lado sul.

A Mata de Luis Inácio visto pelo lado sul.

A Mata de Pacangê faz parte do maior bloco de mata restante na região.

A Mata de Pacangê faz parte do maior bloco de mata restante na região.

Pacangê

Pacangê

Pacangê - Por do Sol

Pacangê – Por do Sol

Pacangê Neblina

Pacangê Neblina

O Setor Sul é dominado por seringueiras abandonadas.

O Setor Sul é dominado por seringueiras abandonadas.

Seringueira Setor Sul

Seringueira Setor Sul